Wagner da Silva: “Sempre será Gre-Nal”

Foto: reprodução

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Porto Alegre, ano de 1989.

Eu era um pré-adolescente torcedor fanático do Internacional e meu irmão mais velho conseguiu permissão da minha mãe para me levar ao Beira-Rio pela primeira vez. Obviamente que eu não fazia ideia do que estava por vir, para mim era um passeio como tantos outros que a infância fantasia.

Saímos de casa logo após o meio dia para entrar na interminável fila da bilheteria. Naquela época não existia check-in, venda pela web e nem mesmo a própria internet havia surgido. Mas vencemos a fila e o sol que nos marcava de cima. Já de posse dos ingressos passei pelo primeiro aperto do Gre-Nal. Quando nos encaminhamos para uma das rampas o aglomerado gigantesco de torcedores – que se empurravam e se acotovelavam -, quase me vitimou. Alguma coisa aconteceu, eu não lembro se o portão fechou devido ao grande número de pessoas naquele setor, eu sei que quase fui esmagado pela massa. Fiquei alguns momentos sem ter forças para encher os pulmões de ar devido ao esmagamento da multidão. Meu irmão gritou muito e me puxaram acima da turba. Escapei.

Entrei no Gigante pela primeira vez e ele estava metade azul, metade vermelho. Oitenta mil pessoas sendo quarenta mil de cada torcida. A maioria dos torcedores que hoje frequentam os estádios de Porto alegre, nunca viu isso. Eu lembro que eu apontava para as coisas, para o campo, para as pessoas, para as torcidas. Estava encantado, embasbacado.

O jogo começou e eu só queria um gol do Internacional para comemorar. Queria comemorar de uma forma diferente, comemorar como torcedor de estádio, no estádio. Mas não veio. Não antes do gol do Grêmio – o segundo aperto pelo qual passei -, não antes da expulsão de Casemiro, não antes do intervalo chegar e me deixar triste. Meu irmão estava muito apreensivo.

Hoje, eu sei que sua preocupação maior nem era com a derrota e sim com a minha estreia no estádio, minha estreia em Gre-Nal. Ele queria que minha primeira vez em campo ficasse marcada com vitória e não com derrota. “Calma, esse pesadelo vai passar, nós vamos ganhar”, me disse ele enquanto as equipes se encaminhavam para o vestiário.

De fato, no segundo tempo o Inter empatou numa cobrança de falta de Edu, uma falta que ele mesmo cavou e colocou a bola na cabeça de Nilson, que estufou as redes. Poucos minutos depois, o mesmo Nilson marcou o segundo gol que decretou a vitória de virada para o colorado.

Talvez um dos dias que eu mais pulei na minha vida. Talvez um dos dias mais felizes da minha vida. A infância é mágica meus amigos. Ela tem o poder de te marcar para o resto da tua vida. E naquele dia, 12 de fevereiro de 1989, eu fui marcado na minha alma de torcedor. Talvez se eu já fosse um adulto naquela época, aquele Gre-Nal fosse um como outro qualquer. Mas não foi. Foi mágico, foi minha estreia no Gigante, foi minha estreia no Gre-Nal e não foi um jogo qualquer, foi “apenas” o Gre-Nal do Século.

Pode valer título, pode ser amistoso, pode valer vaga, pode ser pela permanência, pode ser pela classificação, pode ser pelo motivo que for, para mim, desde aquele dia, sempre será Gre-Nal.

Assista aqui às imagens de como foi aquele dia 12 de fevereiro de 1989:

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