Wagner da Silva: “De onde veio esse cheiro de final?”

Foto: Ricardo Duarte/Internacional

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Então o torcedor colorado queria ir à final? Queria título? Queria espetáculo? Queria ver o Inter colocando os adversários na “roda”? É isso mesmo, torcedor?

Se estivéssemos no final do ano de 2015 eu ainda entenderia a frustração pela “graça” não alcançada. Mas, depois de tudo o que passamos sob o comando da gestão Vitório Píffero e Convergência Colorada, eu estou muito surpreso com o desapontamento do torcedor.

“O Campeão voltou” era o brado da chapa eleita enquanto Vitório estava carregado nos ombros. Porém, o Campeão não sabia realmente de onde tinha voltado e muito menos para onde estava indo. A partir desse momento, uma série de equívocos se amontoaram na escrivaninha do gabinete presidencial. Desde a indecisão dos nomes da comissão técnica, quando prometeram Tite e nos entregaram Aguirre, até os dias atuais, quando já sem tinta na caneta, nos empurraram goela abaixo a SWAT e seu imediato Celso Juarez Roth.

Mas o torcedor colorado queria título. Mesmo depois de ver Argel no comando da equipe durante 11 meses. Depois de ver o zagueiro Paulão se tornar um ícone colorado. Paulão não foi apenas alçado a capitão, mas também durante muito tempo foi garoto propaganda do clube. É muito difícil achar um gol sofrido pelo Inter que não tenha uma participação direta de Paulão.

Mas o torcedor colorado queria título. Mesmo depois de ver que um colorado teve que pedir na Justiça que seu presidente registrasse o estatuto aprovado pelo sócio. Mesmo depois de ver o mesmo presidente assinar contrato com dois canais de TV em menos de dois anos, sem qualquer avaliação sobre o tema, sem qualquer estudo ou projeção de valores futuros. Para se ter ideia, o Inter vendeu até mídias que ainda não foram criadas. Mas o torcedor está frustrado porque não foi à final da Copa do Brasil.

O torcedor queria espetáculo. Queria ver o que sobrou do bagaço tático deixado por 11 meses de Argel, se transformar em Rolo Compressor nas mãos da SWAT e de Roth. Ora, meus amigos, desde quando os times de Juarez dão espetáculo? Desde quando os times de Juarez inspiram multidões a assistirem seus jogos? A SWAT veio com uma missão: tentar frear o espiral descendente que estava nos levando para a série B.

É a nossa última cartada. É o que temos para a janta. Ou alguém imaginaria Fernando Carvalho assumindo, em qualquer época, em qualquer situação, e contratando Bielsa? “Fernando Carvalho assume e promete levar o Inter a uma nova era de profissionalismo”, era isso que você estava esperando em cinco meses de trabalho?

Fernando é um empresário de futebol, entende muito sobre atletas e as transações que os cercam. Porém, dentro de campo Fernando é Roth. Ambos pensam futebol da mesma maneira, há sintonia. E não poderia ser diferente. Em qualquer setor da sociedade, ninguém quer comandar ou ser comandado por quem tem ideias muito diferentes das suas.

É o que a grandeza do Inter exige? Claro que não. Num mundo perto do ideal o trabalho do uruguaio Diego Aguirre teria sido respaldado e hoje, talvez, a gente pudesse estar colhendo alguns frutos, com um mínimo de planejamento. Mas volto a repetir, SWAT e Roth é o que temos para o momento.

Entendo que o torcedor colorado – acostumado a grandes conquistas – esteja chateado com o momento do time. Chateado, eu entendo. Desapontado ou frustrado, se “descabelando” com as escalações de Roth, com as entrevistas do Carvalho, com as atuações da equipe, é reação de quem foi pego desprevenido. E esse não é o caso da torcida colorada. Ela está muito bem ciente da situação desde pelo menos agosto de 2015, desde o “fato novo” que culminou com o fatídico 5×0.

Há alguns meses eu torço com todas as minhas forças para que o Inter se mantenha na Série A. Em momento algum nutri qualquer esperança de “graça” maior. Ainda há muitas batalhas a serem vencidas para que possamos vencer essa guerra. Por isso,, é vital que o torcedor continue apoiando muito até obtermos os pontos necessários que nos manterão na Série A.

Foco e fé, colorados. Vamos sair dessa!

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