Tobias Fretta: It’s Miller Time

FOTO: LUCAS UEBEL / GRÊMIO

FOTO: LUCAS UEBEL / GRÊMIO

Confesso que desde quando fui convidado a escrever no blog e com a iminente convocação de Luan, já vinha imaginando esta postagem. Um equatoriano promissor, contratado por altos valores e inundando a torcida de expectativas, por motivos diversos ainda não conseguira engrenar no clube. Cotovelada, cirurgia, lesão muscular, convocações, a cronologia de Bolaños no Grêmio é deveras conhecida. Então melhor ambientado, com maior tempo de trabalho físico, vaga aberta no time, chegaria o momento do jogador ter a famosa seqüência de jogos e eu teria que escrever sobre.

Porém desde o primeiro insight até o instante de repousar os dedos sobre o teclado, a história foi ganhando capítulos estranhos. Alguns torcedores que não o conheciam previamente bem já demonstravam desconfiança nas redes sociais. Os comentaristas esportivos (eu sei, os que não o conheciam previamente bem) questionando o alto valor investido. E desculpem o atrevimento, deu pra perceber que o próprio não estava satisfeito. Não com o Grêmio, com a situação suponho. Bolaños nas entrevistas e até quando entrava nos jogos, já não demonstrava a mesma empolgação vista quando chegou ao clube e olhou a Arena pela primeira vez. Lembro do gol contra o Figueira, aquela explosão no estádio e o jogador como se aquela alegria não fosse também sua. Não conheço bastidores, não tenho informação privilegiada, mas estou nesse ramo de torcedor faz tempo. O anímico do atleta não estava bem e por isso não me surpreendi com as notícias do seu descontentamento.

O Grêmio lidou bem com a situação. Não ficou escondendo os fatos, desmentindo as notícias, atribuindo a terceiros contratempos normais em um grupo. O Grêmio resolveu. Roger não individualizou, disse na frente de todos que não aceitaria carteiraços e todos agora o devem admirar ainda mais. A direção conversou com o atleta. Não seria justo que sua trajetória no Grêmio tomasse esse rumo. O clube se esforçou muito para tê-lo aqui. O Grêmio não quer ser uma ponte para que Bolaños alcance cifras milionárias. O Grêmio trouxe o jogador para ser o diferencial e se identificar com o clube. Pelos bons treinos da semana o recado foi entendido. Quem sabe o jogador não estava precisando dessa sacudida, do despertar. Que Grêmio e Bolaños comecem sua história do zero. De agora em diante que seja sempre Miller e mais dez.

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