Tobias Fretta: “Estamos em setembro e o Grêmio retorna à estaca zero, retrocede”


FOTO: LUCAS UEBEL / GRÊMIO

Parece estar batido o martelo. Renato Portaluppi, ídolo maior da torcida tricolor, retornará ao seu time do coração em sua terceira passagem como treinador do clube. Retorno tão polêmico quanto o próprio. Diferente das vezes anteriores, agora sucede outro ídolo, outro campeão e acima de tudo um treinador que apesar de vir cometendo erros, devolveu ao Grêmio identidade e respeito pela forma propositiva de atuar. Recuperou jogadores, nos deu cheques em branco e carimbou o sentimento de que merecia algo maior.

Sempre enxerguei no Roger a pessoa que nos tiraria desse jejum de grandes títulos. Capacidade notável, identificado ao extremo com o clube. Seu pedido de demissão me inundou de tristeza, foi cedo demais. Eu concordo com a impressão que esse grupo tinha atingido seu limite. O grupo, o todo, não só o treinador. Esse conjunto de trabalho, presidência, comissão técnica, direção de futebol, teve os seus momentos, suas chances de conquistar e não conseguiram. Chegara mesmo o momento de rever equívocos, trocar peças. Porém não o técnico. Há pessoas e pensamentos que deveriam ser alterados muito antes no Grêmio. Roger poderia participar da montagem do grupo do próximo ano, evoluir ainda mais. “Ah mas ele pediu demissão”, fato. Mas quando que Roger recebeu total apoio do atual departamento de futebol, eu pergunto. Quando fora dado cinco jogos para que seu trabalho fosse avaliado? Quando não foi lhe dado reforços, ambição e perspectiva de título na última janela? O Grêmio não conseguiu encontrar nenhum jogador que pudesse qualificar e dar opções do meio pra frente. Faltou externar convicção de que era ele o treinador dos próximos anos, deixaram a política interferir no vestiário e confiaram demais nos jovens. Há profissionais que atingem um patamar o qual podem se privar de determinadas situações e Roger optou por seguir a sua promissora carreira em outro lugar.

Estamos em setembro e o Grêmio retorna a estaca zero, retrocede. Tinha uma filosofia clara a ser seguida e se viu obrigado a abandoná-la. Gostei muito do retorno do Espinosa, talvez fosse uma das pessoas que já deveriam estar trabalhando com o Roger inclusive. Sobre Renato, de longe seria o nome que eu gostaria como treinador do Grêmio. Que seja inteligente pra manter a proposta, reparando erros e devolvendo auto-estima aos atletas. Concordo que frente à situação não haveria algo diferente a fazer. Há um mata-mata e o seu imponderável a serem disputados. No curto prazo quem sabe um pouco de magia possa funcionar, no longo, o Grêmio perdeu o encanto faz tempo.

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