Tobias Fretta: “Ao Grêmio não cabe mais aprendizados”

Foto: Rodrigo Rodrigues/Grêmio FBPA

Foto: Rodrigo Rodrigues/Grêmio FBPA

Queria muito escrever que ao menos o resultado de domindo servisse de lição a esse time e que continuamos fortes na briga pelo campeonato, queria de verdade. Porém, ao Grêmio não cabe mais aprendizados. Como escrevi outrora, as campanhas recentes do Grêmio se repetem em eternos clichês. E quando um aluno teima em não entender a matéria, só há um caminho, reprovação.

Paira no grupo um ar de conformismo com determinadas situações que nos tiram a chance de pôr fim ao fatídico e interminável jejum. Que medo de protagonizar, liderar, que sina de fracassar em decisões. Boas campanhas servem, partidas solitárias de tirar o chapéu animam. Nunca o algo a mais, a sequência. O Grêmio precisa de conquistas e o clube como um todo tem que ser cobrado fortemente para que as almeje de verdade.

Certo, o Grêmio foi muito superior ao Atlético. Aliás, o jogo ontem lembrou muito a partida contra o São Paulo. Domínio territorial, maior posse de bola, gol no início do segundo tempo e a sensação que maior diferença de gols refletiria com mais exatidão o que estava sendo o jogo. Só que o conceito de ter melhor desempenho está tão incubado nesse grupo, que ao conseguirem atrelar o jogar melhor com a vantagem no placar, os jogadores em campo se inflam de um sentimento que o objetivo foi alcançado. Não foi. Ainda há o que jogar e chances não devem ser desperdiçadas. Contra o São Paulo houve manutenção do placar, contra o Atlético Paranaense também. O Galo, com alta qualidade expressa nitidamente no gol, empatou e nos devolveu o sentimento ruim de “eu já sabia”.

O treinador também é responsável por certa apatia. Trabalho do Roger é louvável e não me permito pensar em outra pessoa dirigindo esse time. Encaixotou o adversário, tem alternativas, o time é claramente muito bem treinado. Encontrou outra maneira de atuar, o que sempre foi cobrado. São sinais claros de evolução e aprimoramento contínuos. Colocar Ramiro em campo foi um erro? Foi. Não pelo “quarto” volante e sim pelo nome escolhido. A insistência com esse jogador já nos privou de ter o Jaílson jogando mais vezes. Ramiro tem que ser o último volante na hierarquia do grupo, Kaio está em sua frente. Não foi o fato de ter entrado mais um marcador que possibilitou o empate. Não houve recuo, abafa, pelo contrário, a jogada do gol surgiu justamente pois o Grêmio ainda se lançava ao ataque. O que aconteceu foi incapacidade do atleta em cumprir a única tarefa que lhe foi atribuída e inaptidão do time em quebrar a bola, se resguardar. A insistência em jogadores que dão pouca resposta e saber parar o jogo quando preciso são atributos que Roger precisa melhorar.

Confesso ser confuso ter que criticar o Grêmio em meio a um trabalho muito bem realizado. Mas precisamos sair dessa zona de conforto, mais atenção aos detalhes. Agregar qualidade ao plantel no momento certo, jogar decisões com inteligência, garantir o placar seguro, deixar um pouco o bruxismo de lado. São seis pontos nos últimos quinze disputados. Momento tem que ser de cobrança, mais incisivos nas entrevistas até. Só confortando, conforme o tempo passa, a conformidade nos atrasa.

Comentários

Comentários