Ronaldo Rocha: “Vai jogar a tua bolinha, Alex”

foto: Ricardo Duarte/Internacional

foto: Ricardo Duarte/Internacional

Antes de tudo, quero deixar muito claro que Alex é meu ídolo, assim como de todo torcedor colorado. Aliás, tenho uma camisa oficial do Inter com seu nome nas costas, junto com o número 12. Porém, não posso deixar passar em branco o ocorrido no último domingo, no Beira-Rio, na derrota por 3×2 para o Botafogo. Alex, logo após cobrar o escanteio que serviu de assistência para o segundo gol do Inter na partida, marcado por Ernando, se dirigiu até a torcida para comemorar.

Até aí, tudo bem.

O problema ocorreu depois.

Eu estava no estádio e percebi que Alex demorou para sair do local onde comemorava com a torcida. Achei estranho. O juiz já havia autorizado o reinício da partida e Alex permanecia junto à arquibancada, como se tivesse “esquecido” do jogo.

Logo depois, percebi que, meio contrariado, Alex voltou para o campo, mas que ainda não havia esquecido da arquibancada. Algo tinha acontecido quando da comemoração.

Para minha surpresa, quando o jogo acabou, e com a derrota do Inter, Alex imediatamente voltou para o mesmo local. Totalmente descontrolado, vi que Alex tentou partir para cima de um dos torcedores que lá estava, precisando ser contido para que algo pior não ocorresse.

Não sei o que o torcedor disse a Alex. Não sei o que Alex ouviu. Desconheço o teor da discussão. Mas isto pouco importa.

O que interessa é que o torcedor, em sua imensa maioria, é passional. Xingamentos são normais no futebol. A mãe do juiz é a mais xingada entre os 23 que entram em campo. Sempre foi assim. Sempre será.

Eu esperaria a atitude que Alex teve de um menino, um moleque, recém subido das categorias de base. Mas não de um jogador que ganhou tudo na carreira e com mais de 30 anos, sendo um dos atletas mais experientes do elenco e um dos líderes do vestiário.

Alex, o torcedor paga caro para ir até o Beira-Rio. Se a questão não ultrapassou o limite das agressões verbais, não vejo razão para o descontrole emocional que tu tiveste.

Posso estar enganado, mas o que Alex fez tem quase a mesma gravidade do que Fabrício fez em 2015. A diferença é que Alex é ídolo e se indispôs com apenas um torcedor, enquanto Fabrício era mal amado e se indispôs com o estádio inteiro.

De qualquer modo, em ambas as situações a figura do torcedor foi desrespeitada. Em situações como estas, pouca relevância tem se um ou alguns mil torcedores foram ofendidos.

Jogadores de futebol ganham salários que quase nenhuma outra categoria profissional ganha. São muito bem pagos. O que um jogador ganha, talvez o que Alex ganhe, no mês, o Joãozinho da esquina precisará de uma vida inteira para conseguir ganhar, e talvez não ganhe.

Ser atleta de futebol tem ônus e bônus. Alex, deve ser muito bom ter o teu nome gritado por um estádio lotado. Mas, para que tenhas isto, também precisas aceitar ter o teu nome vaiado, seja pelo estádio inteiro, seja por apenas um torcedor.

Aliás, tua bola anda muito curta desde a metade do ano passado. Não estás com moral para reclamar de críticas. Se não queres ser criticado, jogue, mostre em campo! E pare de dar indiretas para A ou B no Instagram e de brigar com torcedor na arquibancada com plena bola rolando.

E tenho dito!

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Ronaldo Rocha

 

Ronaldo Rocha é colorado, nascido em Porto Alegre, 23 anos. Sócio do Inter desde 2005, começou a frequentar o estádio Beira-Rio em 2004. Além disso, advogado, formado em Direito pela PUCRS em 2014

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