Ronaldo Rocha: “Os cânticos rivais e seus efeitos contrários”

Foto: Ricardo Duarte/Internacional

Foto: Ricardo Duarte/Internacional

O meu Gre-Nal inesquecível aconteceu em 2011. Era uma final de Gauchão. Falcão era o técnico do Inter; Renato, o do Grêmio. O palco era o velho Olímpico, hoje jogado às traças.

O Inter tinha perdido o primeiro jogo no Beira-Rio por 3×2. Fora de casa, o Grêmio já havia encaminhado o título. A decisão do campeonato ocorreria uma semana depois, na casa do rival.

Saí com sentimento de vice-campeão do jogo no Beira-Rio e totalmente desmotivado pra segunda partida. Cerca de três ou quatro dias depois, com a proximidade da decisão final, recebo uma ligação de um amigo convidando pra ir ao Olímpico. De início, pensei: “O que eu vou fazer lá?”. Mas aceitei, colorado não foge da peleia.

Então, fomos ao Olímpico. À paisana, pois não fomos com a escolta da Brigada Militar e tivemos que andar no meio dos adversários pra chegar ao estádio, encontramos no deslocamento centenas de gremistas. Todos com o clima de “já ganhou” e a música característica que sempre zica: “O Grêmio vai sair campeão, o Grêmio vai sair campeão, o Grêmio vai sair campeão, vai sair campeão, vai sair campeão!”.

Começou o jogo e o Inter, num 3-5-2, não se encontrava em campo. Logo no início, Douglas acertou um lançamento pra Lúcio, que marcou o primeiro gol. O clima de “já ganhou” tomava conta das arquibancadas, dessa vez mais incisivamente. No meu pensamento, só vinha a seguinte pergunta: “O que eu tô fazendo aqui?”. Foi aí que Falcão sacou Juan do time e colocou Zé Roberto, que mudou o jogo.

O primeiro tempo terminou 2×1 pro Inter, com direito a um gol marcado por Andrezinho, lesionado e mancando em campo. No segundo tempo, o Inter conseguiu um pênalti e D’ Ale marcou em seu freguês Vitor. O caneco, naquele momento, era do Inter!

No final do jogo, Renan largou uma bola nos pés de Borges, que diminuiu pra 3×2 e levou a decisão pros pênaltis. O Grêmio, naquele momento, se engrandecia e o Inter murchava depois de ter buscado um placar perdido.

Nas penalidades, Renan cresceu e, na última cobrança, Zé Roberto garantiu o caneco. Desse jogo, tirei duas lições: não dá pra duvidar do Inter e o cântico de que o coirmão sairá campeão até produz efeito, só que contrário.

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