Rafael Serra: “Obrigado, MilaGrohe!”

Foto: Rafael Ribeiro/CBF

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Dizem que a vida da uma segunda chance para as pessoas boas, para quem trabalha sério e é competente. Então vamos falar de Marcelo Grohe.

Era para ser a noite do homem gol, o ídolo maior de todos os gremistas, Renato Portaluppi. Sua estreia diante do Atlético-PR marcaria seu terceiro retorno como técnico. O Grêmio tinha vantagem. Jogava em casa e o adversário não parecia trazer grandes dificuldades. Mas os Deuses do Futebol não gostam de pragmatismo. Gostam de dramas e redenção.

O Grêmio não jogou bem. Apresentou erros de passe, jogadores nervosos e a falhas nas finalizações. Mas ninguém imaginaria uma falha, beirando o bizarro, de Marcelo Grohe. Falhou e André Lima, aquele que marcou o primeiro gol da Arena, abriu o placar que levaria o jogo para as penalidades máximas. Pênalti é competência e coração.

Imagine como estava o coração de Marcelo Grohe. Aquele gurizinho, vindo de Campo Bom, que chegou no ano 2000 para jogar no Grêmio e ganhar a vida na capital, poderia ser o vilão responsável por uma eliminação. Passou um curta metragem naqueles minutos, entre o fim do tempo normal e o começo da decisão por pênaltis. Grohe perdeu o pai cedo demais. Não teve a figura paterna para lhe dar o ombro amigo naqueles momentos difíceis, da final do Gauchão de 2006 até a injusta reserva quando da chegada de Dida, em 2013. Marcelo é o ombro amigo de sua família. É o pai. É pai também. Certamente pensou no seu filho e na história que contaria sobre aquele jogo.

Renato Portaluppi entende de tática sim. Não é estrategista. É líder nato. E como líder motiva, da confiança. Nos minutos que antecederam as penalidades Portaluppi motivou Grohe. Talvez não fosse necessário. Em 2013, quando Dida lesionou-se no jogo da pré-libertadores, Grohe garantiu a classificação diante da LDU em noite de Arena lotada. Mas Renato fez o seu papel de ídolo, treinador e torcedor. O coração de Marcelo ouviu. Foi perfeito, assim como em 2013. Defendeu três cobranças e ainda viu uma estourar no travessão e outra parar nas mãos de algum torcedor na arquibancada.

Grohe jogou com o coração: o seu, do seu pai, do seu filho e de todos nós torcedores que choramos com a sua redenção. Obrigado, MilaGrohe!

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