Rafael Serra: “Mãozinha de todos nós”

Foto: Lucas Uebel/GFPA

Foto: Lucas Uebel/GFPA

Não sei precisar em que ano surgiu o Mãozinha. Ele é um torcedor caricato, torcedor símbolo frequentador da Geral. Também não sei seu nome e muito menos qual é a deficiência que afeta uma de suas mãos.

Ontem, acompanhado diversos gremistas nas redes sociais, deparei com uma foto do Mãozinha, em pleno Mineirão. Em meio a tensão óbvia de ver o Grêmio numa final importante, após nove anos, aquela cena me encheu de emoção. Não se mede paixão, amor e muito menos devoção de torcedor. Mas o Mãozinha merecia muito estar em Belo Horizonte e ser testemunha da atuação mais perfeita do Grêmio desde a final de 2001. Daquele time do Tite. A imagem do Mãozinha, sorrindo numa foto sem foco, me trouxe a imagem de tantos gremistas, dos chegados até os anônimos, e de como são merecedores desse sonho chamado Grêmio.

Pensei no Renato, nosso Homem Gol, e como ele estaria pensando na filha. Certamente está orgulhosa do nó tático aplicado pelo pai em Marcelo Oliveira. Portaluppi – o Renato e a Carol – nasceu para sorrir e se emocionar no Grêmio. Olhei para o lado. Vi minha namorada, a mãe do meu segundo filho, sorrir e se emocionar com os golaços de Pedro Rocha. Ela talvez não tenha ideia do tamanho da emoção que tomará conta do seu coração ao ouvir o primeiro choro de nosso pequenino. Choro. Me faz lembrar do meu pai e de quando choramos juntos. Em 1996, no gol de Aílton, e tantas outras vezes naquela década de 90. As lágrimas de Pedro Rocha ficarão eternizadas. Não em imagens. Mas no sentimento do seu Jessé Neves vendo o filho desabar, após expulsão, e não estar perto para afagar seu artilheiro.

Imaginem o nervosismo do Mãozinha quando Gabriel fez o gol do Galo e diminuiu a diferença no placar. Nervoso deve ter ficado Renato quando Geromel disparou ao ataque. Com um jogador a menos, Geromito fez jogada de atacante, ponteiro, e consagrou Everton. 1×3 no placar. Eu não queria acreditar. São 15 anos. São muitos quases. Mas chorei de emoção num canto do Bar da Isa, ali… bem pertinho da Arena. Perto de onde o Mãozinha costuma estar e estará no próximo dia 30 de novembro de 2016. Dia para eu, para o Mãozinha e todos os gremistas acreditarmos no sonho chamado Grêmio Football Porto-Alegrense.

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