Quando as declarações falam mais alto que o clássico Gre-Nal

FOTO: RICARDO DUARTE/INTERNACIONAL

FOTO: RICARDO DUARTE/INTERNACIONAL

por Alexandre Sampaio, especial

Não bastasse o Internacional criar sua própria crise com a atuação pífia dos últimos 3 jogos (sim os últimos 3, contra o Figueirense o time criou o suficiente para empatar ou até mesmo ganhar, na minha modestíssima opinião), eis que vem um episódio de polêmica que leva do nada a lugar nenhum.

O “trator” do Argel vai para o jogo de domingo tão pressionado como DVD do Fernando Carvalho em 2009 na Copa do Brasil. A experiência mostra que os resultados quase nunca são dos melhores quando se apimenta o jogo com antecedência prometendo que vai fazer isso ou aquilo.

Pelo menos, ao que eu me lembre, em matéria de GreNal somente o caso de 1984, quando o Renato Portaluppi pediu o amistoso para entrega das faixas de Campeão Mundial, e venceu por 4×2 dando a resposta ao Mauro Galvão, então no Inter, que dias ou semanas antes disse algo do tipo “o Grêmio é campeão do mundo, mas quem manda no RS é o Inter”. Resultado? Um baile no Olímpico, Grêmio confirma a superioridade como equipe da época. O Inter então era tricampeão gaúcho até então.

Fora esse caso, vem a memória outros 2 episódios que a declaração polêmica na semana do clássico serviu apenas para mostrar que esse tipo de “previsão” ou “diagnóstico” em nada ajuda no jogo. Ou melhor, só atrapalha.

Vejamos:

O ano é de 1999. O Inter vem de duas “pauladas” nos meses que antecediam o clássico GreNal do Brasileirão daquele ano a ser realizado no Olímpico.

O Inter vivia uma reformulação. Paulo Autuori havia sido demitido após uma má arrancada no brasileiro. Valmir Louruz assumia comando, sendo que este treinador havia sido Campeão da Copa do Brasil meses antes com o Juventude e foi responsável pelo maior vexame do Inter em muito anos, no Beira Rio, até então (perdia em significado apenas para o Olímpia em 1989).
O sonoro 4×0 para o time de Caxias na semifinal da Copa do Brasil daquele ano sobre o Inter no Beira Rio desencadeou uma crise no clube sem precedentes.

Além disso, Ronaldinho (ainda sem o Gaúcho no nome) despontou para o mundo, literalmente, após deitar e rolar sobre o Dunga (e o time todo do Inter) na final do Gauchão do mesmo ano. Essas foram as duas “pauladas” que o Inter havia levado no lombo. Crise instalada, troca de treinador, reformulação de equipe, e segue o baile.

Após contratações modestas, o Inter vinha para o clássico com os reforços de Zezinho (oriundo do Vasco) e Hector Hurtado da Colômbia. Se não eram de encher os olhos, era um sopro de alento para a torcida que havia ficado órfã do ídolo da época Christian, que havia sido vendido ao PSG. Eis que, do nada, em uma simples entrevista dias antes do jogo, o ilustre Zezinho, recém chegado na aldeia, solta a pérola “A defesa deles são horríveis!”. Sim, exatamente assim, com português “perfeito” que se publicou na capa da seção de esportes do jornal do dia seguinte a declaração do jogador juntamente a sua foto.

Me perguntei, pra quê?

O jogo? Chato, as duas equipes sem produzir muita coisa e, no último lance, em um escanteio o Zé Alcino do Grêmio completa a grande área decretando a vitória do time tricolor.

O Zezinho? Ah, só entrou em campo. Não fez nada para cima da “defesa horríveis” e ainda ouviu do Danrlei depois do jogo que havia pipocado (declaração com razão).

A partir daí o Inter fez um campeonato medonho, acumulou derrotas de todos os tipos e só foi se resolver como equipe em dezembro após não cair para a série B (essa história fica para um outro momento).

Outro episódio de declaração polêmica vem do ano de 2008. GreNal a ser realizado no Beira Rio. Novamente o Inter vinha de reconstrução pós-crise, além de estar focado na Copa Sulamericana. Havia contratado D’alessandro, Rodinei, Daniel Carvalho, Ângelo, Lauro e Luiz Carlos Pedra. Tite era o treinador, ainda sob desconfiança da torcida pela passagem de sucesso no time gremista 7 anos antes.

O Inter já tinha bons valores no time e vivia a ressaca pós saída do Fernandão. Na semana do clássico do campeonato brasileiro daquele ano, o Grêmio era líder isolado. Era o favorito. Eis que “out of the blue”, o presidente deles Paulo “OAS Arena” Odone, contagiado pelo bom momento do time, em uma declaração de fanfarronice fala aos quatro cantos que iria “passar a máquina por cima deles”.

Inclusive em um dos treinamentos do Inter, Índio e Nilmar brincam em cima de uma máquina de aparar grama em uma ironia à declaração do presidente adversário.

Me perguntei novamente: Qual a razão dessa declaração do presidente deles? Inconsequência pura!

O jogo? Um vareio do Inter como há muito não se via! 4×1, todos os gols no primeiro tempo (D’alessandro, Alex, Índio e Nilmar. Tcheco fez o deles). Com direito a embaixadinhas do Clemer no 2º tempo para tirar onda. Isso sem contar que o Inter teve um gol anulado no 2º tempo.

Como resposta ao então presidente tricolor, Índio deu uma entrevista modesta dizendo que respondeu dentro de campo a quem disse que passaria a máquina por cima do time do Inter.

O Grêmio perdeu a liderança isolada naquele dia, após a derrota, mas perdia em critérios para o Palmeiras. Esses pontos fizeram falta no final do campeonato e tirou o título deles.

Vejam amigos, esse tipo de episódio só causa dor de cabeça a quem entra em campo. A pressão passa toda para os jogadores, que são os responsáveis por traduzir e responder em campo por toda a fanfarronice criada, sem necessidade, antes de um clássico. Clássico este recentemente eleito como o maior do Brasil e o 8º do mundo pela revista Four Four Two.

O clássico por si só já é tenso e não precisa de mais holofotes. Mas há sempre espaço pra mais polêmica, isso nunca vai mudar.

Só resta saber o resultado do “trator” do Argel.

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