Renato Portaluppi: “Treinador não vai ser burro de colocar um jogador no banco por birra”

FOTO: LUCAS UEBEL / GRÊMIO

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Em entrevista coletiva após a classificação do Grêmio para a final da Copa do Brasil, Renato destacou o grupo, ressaltou a importância de chegar na final da competição e avaliou diversos aspectos do clube, do grupo e da situação atual e passada dele no Grêmio.

Sobre o resultado:

“O mais importante é que o Grêmio conseguiu o objetivo de chegar à final. Sabíamos que íamos encontrar um adversário difícil. O Cruzeiro jogou muito bem, mas nós jogamos 180 minutos e o Cruzeiro só 90. Jogamos com inteligência o segundo tempo, tivemos uns dois ou três lances. Mas o mais importante é ir à final. Dou os parabéns aos nossos torcedores. Dedico a classificação a eles”.

Com relação ao desempenho do grupo e a importância da defesa:

“Acima de tudo, o desempenho deles é o da equipe. Eles não jogam sozinhos, têm a ajuda de todos. A marcação começa lá na frente. Quando todos cumprem seu papel na parte tática, fica mais fácil para todos. Temos um time determinado. Hoje foi a maior prova disso. Tivemos uma atuação de gala em Belo Horizonte. Não jogamos tão bem hoje, mas jogamos os 180 minutos da decisão. O Cruzeiro pagou por só ter jogado 90 minutos”.

Comentou sobre a final na competição:

“Eu tenho um grupo maravilhoso, que não dá problemas, e que faz o que é pedido taticamente. Merece estar na final da Copa do Brasil. Temos conversado com eles, colocando o quanto é importante conquistar essa Copa do brasil. O primeiro passo era alcançar a final. Hoje dei a ordem: estavam proibidos de decepcionar o nosso torcedor e seus familiares e chegar sem a vaga no vestiários. Fomos um time aguerrido, que jogou com uma raça muito grande. Após 15 anos, estamos na final de um campeonato nacional. O nosso objetivo é conquistar o título. O Atlético-MG também tem condições, da mesma forma que o Grêmio”.

Sobre o trabalho realizado até então:

“Eu fiz pouco, temos que agradecer aos jogadores. Se eles não quiserem, podem trazer o melhor treinador do mundo. Temos uma relação muito boa. Mais do que nunca, o treinador tem a parte tática como importante, mas o mais importante é o papel do treinador no gerenciamento do grupo. Quando isso não acontece, é melhor pegar o boné e ir embora. O difícil é ter os 30 jogadores do grupo na mão, que quando ele entrar em campo ele vai se entregar.”

Com relação ao tricolor copeiro e sua preferência de onde decidir o jogo decisivo:

“O Grêmio sempre jogou desta forma, não adianta colocar um futebol diferente. Tem que ter o espírito copeiro, mas precisamos de qualidade técnica. Mas não pode ser só um ou outro. Tem que unir o útil ao agradável. Sem a bola, somos um time copeiro. E com ela, tentamos jogar. Eu gosto de jogar a segunda em casa. Temos 20 dias até a primeira partida e serão 180 minutos. Vamos comemorar bastante. Os jogadores merecem. A partir de amanhã começamos a pensar no Brasileirão”.

Destacou o trabalho deixado por Roger Machado e sua amizade com ele:

“Sou muito amigo do Roger, ele fez um trabalho maravilhoso. Você quando é inteligente, procura tirar o máximo do grupo e do que vinha sendo feito. Ele valorizava muito a posse e o que eu consegui incrementar é que não levamos muitos gols. Com bola parada ou rolando. Temos uma pegada muito forte, eu mudei neste aspecto também. O Grêmio tinha uma equipe muito técnica, mas que não se entregava como o torcedor gostava. Coloquei na cabeça dos jogadores que aqui precisa de entrega. Hoje dificilmente levamos gols na bola parada. Roger deixou um trabalho muito bom no Grêmio. Tem um futuro brilhante. Incrementei algumas coisas da minha parte, e hoje temos um grupo muito bom tecnicamente e também de brigar com o adversário”.

Desviou o assunto e nem quis falar de 2017:

“Não fui procurado e nem quero conversar, não é hora. O nosso pensamento é nos dedicarmos totalmente para a Copa do Brasil e para o brasileirão. Não vamos desviar o nosso foco. A coisa mais importante do Grêmio hoje é o título. Nada vai desviar a nossa atenção. Não estamos preocupados com isso”.

Perguntado pelo Mundo Gre-Nal sobre a melhora da zaga e por poder contar com Kanneman nas finais (O argentino ainda está pendurado pelo segundo cartão amarelo):

“Eles estão muito bem treinados. Sempre que o Thyere entra vai muito bem, mesma coisa que o Wallace Reis e o Fred. O treino não é só para os titulares, todos assistem as nossas preleções e as correções no vídeo”.

Sobre a gestão do grupo de atletas e sobre ter estrelas no grupo:

“Você vê o trabalho do treinador quando se tem as estrelas. E é assim que vê o trabalho do técnico. Quando não são tantas estrelas, é mais fácil de administrar. Em 2013, tínhamos muitas estrelas. E aí se vê o dedo do técnico, deixar alguns no banco e não ter problemas. Tinha uma cobrança da imprensa que o Zé Roberto e o Elano tinham que jogar, e ainda tinha Kleber e o Barcos. Futebol não é só atacar. Lá fora nós vemos jogadores que ganham milhões e não reclamam. O treinador não vai ser burro de colocar um jogador que vai te ajudar no banco por birra. No futebol brasileiro, nunca vi um jogador com cláusula que obriga ele a ser titular. Quem escala é o treinador. Se não vier os resultados, é a cabeça do técnico que rola. A decisão final é sempre do treinador. Tinha um grupo maravilhoso em 2010, com mais quatro ou cinco rodadas e nós seríamos campeões. Hoje estamos na final da Copa do Brasil”.

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