Opinião: É sempre amor mesmo que mude

Foto: Ricardo Duarte/Internacional

Foto: Ricardo Duarte/Internacional

por Adriano Schneider e Nando Rocha
Enfim, chegamos. A hora de saber se a luz no fim do túnel é a saída ou um trem que vai nos atropelar de vez.
Estamos à risca do traço que divide a tragédia, sentados de frente ao peral. Os limites já foram ultrapassados, as barreiras já foram transpostas. A perna pesou. O degrau que nos separa está trincado é só podemos fazer um movimento.
Estamos feridos, combalidos, machucados. Nós que tantos choramos no cimento frio do Beira-Rio abraçados a estranhos comemorando nossos feitos relevantes, estamos agora segurando o pranto da queda pelas ruas, nas escolas e escritórios como se ainda acreditássemos no improvável, impossível, imponderável.
Invocamos lendas, nos motivamos de várias formas diferentes, tentamos achar no oculto o que não existe no real. Chegamos a materializá-los com seus trejeitos, cabelos e tatuagens, transformando o nosso grito em garra, a nossa dor em gol. Agora já não a temos em campo, senão no coração.
E estamos diante do nosso destino. Fomos dependentes de quem errou, mas insistimos em todos momentos pela nossa paixão. Iludidos. Insanos. Enlouquecidos. A verve que ferve nossas mentes e que passamos aos nossos filhos. Jamais desistir.
Incendiamos as ruas, os jogos, hostilizamos adversários com o nosso amor, mas não houve reciprocidade. Eles parecem pouco se importar.
Não vamos dar trégua ou paz aos culpados, mas sabemos separar quem usa nossa camisa ou respeita a instituição como se fosse seu próprio e mais oculto relicário. É visível quem briga por todos e quem briga por si.
Estamos aqui parados. Inertes. Todos aguardando o domingo pra saber o que virá no nosso destino.
Não menos apaixonados, não menos indignados. Não menos Inter.
E mesmo diante do impossível jamais abandonaremos quem forjou nosso caráter e a nossa história.
Juntos com o Inter como toda história de amor entre clube e torcedores deve ser.
É sempre amor mesmo que mude.

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