Jéssica Loures: “Não temos D’Alessandro, mas temos Seijas”

Foto: Ricardo Duarte/Internacional

Foto: Ricardo Duarte/Internacional

Penei em tentar encontrar algum jogador que me representasse após a saída do ícone D’Alessandro. Algum jogador que fosse, ao menos, 10% do que o argentino foi – profissional, lúcido e obstinado. Durante um semestre inteiro, fui testemunha de discursos prontos e desculpas que só mudavam de figura. A situação do time piorava a cada partida e ninguém aparecia para desempenhar o papel de porta voz da nação colorada.

Seijas chegou em maio e virou referência ao chamar para si a responsabilidade em campo. Suas declarações transparentes e sensatas passaram por cima de meu muro crítico e vi no venezuelano a esperança que faltava. Em agosto, o camisa 23 foi o primeiro do grupo de jogadores e dirigentes a admitir o risco de rebaixamento e voltou a frisar, sem meias palavras, a situação ruim após o jogo contra o Santos, na Vila.

Não posso negar que preciso me identificar com algum atleta no elenco, afinal, futebol tem dessas coisas. Sempre encontramos algum jogador para se apoiar e para justificar nossa insistência em assistir às partidas de um elenco tão defasado. O amor ao clube também se tece junto com a admiração que se tem a um jogador.

Não temos D’Alessandro, mas temos Seijas. Somos representados em campo por alguém que admite os erros, claramente sofre com isso e não foge dos problemas diante das câmeras. Depois de meses, enfim, temos um torcedor no elenco de jogadores do Inter.

Se sairemos dessa, meus amigos, eu não sei. Mas tenho a convicção de que posso acreditar.

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