Jéssica Loures: “Morremos abraçados”

Foto: Ricardo Duarte/Internacional

Foto: Ricardo Duarte/Internacional

Ser mineira e apaixonada por um clube gaúcho tem lá seus encantos – a notícia de uma semifinal entre o pão de queijo e o chimarrão alegrou instantaneamente meu coração.

Meu namorado, Rafael, é um orgulhoso mineiro e um apaixonado cruzeirense. Ficou animado com a possibilidade de Internacional e Cruzeiro protagonizarem uma final de Copa do Brasil onde poderíamos ir juntos ao estádio. A semana foi repleta de ansiedade – queríamos dar início a uma batalha épica para nós dois.

A quarta-feira já estava programada: ele iria ao Mineirão e traria uma vitória cruzeirense em cima dos tricolores gaúchos e eu esperaria seu retorno com um massacre em cima do Galo. Mas para nossa infelicidade, nenhum de nossos desejos se concretizaram.

Enquanto a torcida cruzeirense dava um show no mineirão, a colorada não ficava para trás – no Beira-Rio, 90 minutos de um apoio impecável. Mas a derrocada veio logo aos 4′ do 1º tempo – em falha de Alan Costa, o galo abria o placar. Nossa irritação foi compartilhada: “Não é possível”. O sentimento se repetiu aos 19′, quando aqui em Minas, o Grêmio marcava seu primeiro gol.

“Copa do Brasil é sofrido” ele me mandou. Não tem como discordar.

O Inter melhorou após sofrer o gol, mas perdeu inúmeras chances. Já o Cruzeiro não apresentava reação. O empate do colorado veio aos 26′ do 2º tempo, momento em que o Inter pressionava e finalizava sem folga para o Galo. No Mineirão, a raposa se deixava dominar – 2×0 para os gaúchos.

O empate se delineava no sul, mas o gol relâmpago do Atlético-MG expulsou o sorriso da minha face. 2×1 para os mineiros.

Foi um tipo de choque que eu não havia sentido antes. Como se o desejo de vê-los na final fosse destroçado pela realidade cruel que o “quem não faz, leva” nos insere.

“Como você tá?” – eu perguntei.

“Sem palavras” – ele respondeu.

Sem palavras como eu. Eu e ele fomos derrotados juntos, por dois gols dos nossos respectivos rivais que tanto cultivamos antipatia.

Nossos times do coração não seguiram nossa linha de pensamento e nos restou consolar um ao outro, torcendo pela reviravolta pouco provável.

Morremos abraçados. Cada um com sua dor, cada um com seu amor.

Leia a colunista no Guria das Gerais

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