Por Filipe Abilio: Dupla Gre-Nal reforça a educação nas categorias de base

FOTO: LUCAS UEBEL / GRÊMIO

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Clubes incentivam os futuros profissionais a não abandonarem a sala de aula mesmo após a conclusão do ensino médio.

Ser jogador de futebol é, sem dúvidas, um dos grandes sonhos de milhares de jovens brasileiros. O investimento para alcançar esse objetivo inicia cada vez mais cedo, porém muitos ficam pelo caminho e perdem o foco nos estudos devido à intensa rotina de treinos, concentrações, viagens e jogos. Para evitar com que os garotos não troquem os livros pela bola, os grandes clubes do país têm reforçado o incentivo na educação desde as categorias de base. Na dupla Gre-Nal, por exemplo, há exigências quanto à conclusão do ensino médio e suporte para que os boleiros também invistam em uma graduação.

Com o objetivo de valorizar a formação dos meninos, o Grêmio mantém parcerias com algumas instituições de educação. Há projetos em conjunto com escolas de ensino fundamental e médio, onde os integrantes de todas as categorias estudam regularmente. Essa união contribuiu para que o clube atingisse uma importante marca no âmbito educacional no ano passado. De acordo com o Núcleo Psicossocial da base, o Tricolor alcançou um índice de 98% de aprovação escolar em 2015.

– Este sucesso se dá através do acompanhamento diário das rotinas escolar dos atletas, suporte pedagógico com apoio especializado e espaço para estudos e pesquisas. A expectativa para este ano é de alcançar os 100% de aprovação escolar – explica o pedagogo do Grêmio, Fábio Gomes.

Ao todo, o Tricolor conta com 55 jogadores acima de 18 anos que treinam no Centro de Treinamento (CT) Presidente Hélio Dourado, em Eldorado do Sul. Destes, 35 garotos – ou 63% – já concluíram o ensino médio. Os demais estão com a formação em andamento, pois é uma exigência do clube independentemente de eles estarem alojados no CT ou não.

Entre os boleiros da base gremista maiores de idade, 17 cursam ou já cursaram alguma faculdade. A grande maioria deles faz a graduação na Unilasalle Canoas, aproveitando a parceria que o clube possui com a instituição. Desde 2014 o Grêmio disponibiliza bolsas de estudos aos meninos da categoria de base e vem os incentivando a continuar a formação acadêmica.

– Nós acreditamos na formação integral do atleta. Nesse sentido, busca-se, junto aos jovens, o desenvolvimento não só das questões técnicas e táticas, mas também o desenvolvimento intelectual e cultural de cada um deles – conta Gomes.

No Internacional o trabalho com os futuros jogadores também ultrapassa as quatro linhas do gramado. O clube exige que os garotos que ficam alojados no Centro de Treinamento Morada dos Quero-Queros, em Alvorada, estejam estudando regularmente, caso ainda não tenham concluído a educação básica.

Atualmente, o Colorado possui com 25 atletas acima de 18 anos que moram nas dependências do CT, sendo que 12 (48% do total) já concluíram o ensino médio. Para colaborar com a formação escolar, o Inter mantém parcerias com instituições e as coloca a disposição dos jovens para que não percam o foco no campo dos livros. Buscando incentivar os meninos na área educacional e social, o clube também estimula a graduação junto ao futebol e conta com quatro integrantes da categoria de base que cursam o ensino superior.

Entre eles está o zagueiro Gabriel Mentz, de 18 anos, que dribla os poucos horários e a rotina intensa que o esporte proporciona para manter a formação acadêmica em paralelo ao futebol. Incentivado pelos pais para continuar os estudos, Mentz é aluno de educação física da Unisinos, em São Leopoldo. Além do apoio da família, ele conta que a vontade por aprender coisas novas também o motiva a conciliar os treinos com as aulas.

– Achei que não seria suficiente terminar o ensino médio e ficar só com o futebol. Achei que poderia fazer mais. Esse curso de educação física vai me ajudar também posteriormente. Se der tudo certo com a minha carreira depois vou poder continuar trabalhando como treinador ou preparador físico – afirma o zagueiro da equipe júnior.

Gabriel Mentz conta também que o incentivo do seu treinador, Carlos Leiria, foi fundamental para que ele iniciasse a graduação no início desse semestre. Segundo ele, o clube está sempre incentivando os atletas a não deixarem os estudos após a educação básica.

– Eles buscam várias maneiras de nos apresentar alternativas de cursos, já levaram alguns jogadores para visitar faculdades. Quando eu passei no vestibular o pessoal me parabenizou e me citou como um exemplo para alguns atletas menores. Foi bem legal! – lembra Mentz.

Devido o pouco tempo para dedicar-se à faculdade, o jovem zagueiro colorado acredita que levará mais do que os quatro anos previstos para terminar a graduação. Ao contrário das demais profissões, o futebol não conta com horários e dias fixos para as atividades. Por exemplo, Gabriel Mentez teve que faltar o primeiro dia de aula na Unisinos, pois estava voltando de uma viagem à Alemanha com o Inter. Situações como estas dificultam o andamento do curso, porém não servem como empecilho.

– No próximo semestre vou fazer mais cadeiras para tentar concluir (a faculdade) o quanto antes, mas eu ainda não sei ao certo quanto tempo vou precisar para me formar. Mas me motivo por saber que vou ter algo a mais do que os outros e que estou aprendendo o tempo todo. Isso é um diferencial e vai acrescentar bastante à minha carreira – avalia o atleta.

Além da dupla Gre-Nal, outros grandes clubes do Brasil também promovem o estudo nas categorias de base, pois medidas como esta servem como uma alternativa ao futuro dos garotos.

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