Déborah Medeiros: “O que eu aprendi com a Série B”

 
* AVISO: CONTÉM IRONIA.

Eu não nasci colorada. Invejo quem tenha nascido. Ainda sofro retaliações familiares por isso. Meu pai é avaiano. Quando eu era pequena, meu pai era avaiano de coração, e são paulino e vascaíno por influência. Em Santa Catarina, há muitos anos, era normal que as pessoas torcessem pra Avaí, Figueirense, Chapecoense, e pra outro time “grande” ao mesmo tempo. Não falo grande no intuito de diminuir os times daqui, mas era comum torcer pra dois times e um deles ter maior visibilidade.

Assim, cresci indo pra Ressacada com meu pai e assistindo aos jogos do Avaí. Lá pelos sete anos, conheci o Inter, me apaixonei, mas continuei acompanhando o Avaí em suas subidas à elite do futebol e as derrocadas de novo à Série B. Cair pra série B não está nos meus planos, mas já que as crenças de treinador e dirigentes não ajudam, talvez devamos nos preparar. Crescer indo a jogos da Série B me fez aprender muito sobre o futebol de raiz, e, como na fase do luto, estou no estágio de aceitação, gostaria de elencar algumas coisas que aprendi vendo jogos da Série B caso nosso futuro próximo não seja tão brilhante como esperamos.

– A queda é dura. Ainda mais quando ela se confirma só na última rodada e acaba com todas as tuas esperanças e cálculos matemáticos feitos pra fugir da degola. Ano passado o Avaí caiu na última rodada deixando seu rival Figueirense na Série A e isso foi triste. Muito triste. Até começar o campeonato da Série B. É aquela coisa: o que não tem remédio, remediado está.

– Jogos de Série B preenchem teus dias da semana de um jeito que a Série A ainda não conseguiu. Nada como chegar em casa numa terça, sentar no sofá, abrir uma cerveja e ver um maravilhoso Luverdense X Tupi. Tudo bem, essa é uma dica para os fortes.

– Jogos de Série B nos fazem desapegar do padrão FIFA. Arenas lindas e modernas não são o maior atrativo, iluminação estranha em alguns jogos, mas o futebol maroto mora ali.

– Observar a Série B também é importante pra descobrir talentos que podem despontar no futebol futuramente. Nossa gestão sabe muito disso e fez vários reforços assim pra esse ano. Mas recomendo não apostar apenas em craques da Série B pra montar um time de Série A.

– Outra coisa muito interessante sobre a Série B é que não importa o ano, um cachorro sempre vai invadir algum jogo. Dá até pra fazer um bolão com os amigos no início do campeonato apostando em qual jogo isso vai acontecer.

– Existe uma mística muito legal em jogos de Série B. Os torcedores que acompanham são muito apaixonados e mesmo que o time não tenha a mínima chance de subir, sempre estão lá, de coração aberto. Tem gente que leva criança, cachorro, gato, galinha, vai de maca, cadeira de roda. Enfim, é muito amor. Se o Inter não cair, recomendo você torcedor que gosta mesmo de futebol a ir em algum jogo de Série B despretensiosamente. É bem legal.

– Ninguém para na Série B por acaso, não é como se você estivesse na rua e PLOF… cai no buraco da Série B. Tem que ter muita força de vontade pra fazer tudo errado e chegar lá. Inter tá no caminho certo!

– Outra coisa é que existe muito mais cobrança de times grandes em ganhar o campeonato. Não é como um mérito, mas sim obrigação. Isso é um fator que me preocupa pelo histórico do Internacional de jogar mal contra times menores. Melhor se preparar para fortes emoções.

Diante desses pontos, espero muito que nosso 2017 seja observando a Série B como um campeonato divertido pela TV e eu possa acompanhar meu pai em Avaí x Internacional na Ressacada. Mas se esse for o nosso destino, estou curiosíssima pra saber o que vai rolar no clássico Internacional x Brasil-Pel.

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