Déborah Medeiros: “Inter, que time filho da mãe!”

Foto: Ricardo Duarte/Internacional

Foto: Ricardo Duarte/Internacional

Sábado. Que dia bem gostoso da semana. Único dia em que mesmo que teus planos deem errado tu acaba fazendo novos planos. Tudo pela ressaca do domingo. Sábado passado eu queria ir ao Beira-Rio. Não piso lá desde Inter x Figueirense e isso me deixa um pouco irritada. Cheirinho de campo faz falta. Mas tive que trabalhar. Hora de fazer novos planos.

Combinei com um amigo para assistirmos ao jogo do Inter (outro colorado tão fanático e envolvido quanto eu) e depois faríamos qualquer outra coisa no sábado à noite. Afinal, era um jogo em que o otimismo imperava, perto de todos os outros jogos anteriores do Inter na fuga pelo Z-4. Abriríamos cinco pontos longe do Z-4 que me deixariam tão feliz que até beber uma cerveja na esquina seria uma baita festa. Que fase!

Ligamos a TV, empolgados, e sete minutos de jogo: gol do Vitinho! QUE HOMEM! Um gol e eu me senti confiante, era nítido que poderíamos fazer mais uns dois e se preocupar só com tentar um resultado milagroso pra Copa do Brasil no meio da semana. Ledo engano. O time se retraiu, afroxou. Eduardo Henrique cavou uma expulsão burra. Inter cresceu de novo até o fim do primeiro tempo, mas nada expressivo naquela bagunça de meio-campo.

Eu me sinto muito otária em criar esperanças num time que dá um tapa e depois se retrai pra não levar outro. Acaba levando e no lugar de tapas, vem socos pra afundar ainda mais o caminho pra zona de rebaixamento.

Inter volta, Inter tenta jogar, a zaga falha, toma gol e na minha cabeça vem aquela voz irritante me lembrar que: era óbvio demais que isso ia acontecer! É o Inter. É do Inter entregar a paçoca pra adversários que já jogaram a toalha.

A torcida sentiu esse gol. Eu, que via pela TV, sentia uma torcida cansada daquilo ali. De um técnico que improvisa jogador quando não precisa. Que coloca o melhor lateral do time pra jogar no meio-campo e improvisa meio-campo na lateral. Que dispensa as opções que tem só por pura teimosia. Que se abraça na sua convicção sem saber que ela é uma âncora que só puxa pro fundo. Pela TV, sentimos o gol. É difícil apoiar incondicionalmente quando tu vê erros crassos comprometendo os resultados mais garantidos que tínhamos pelo caminho.

Eu ando controlando muito mais as continhas pra fugir do Z-4 do que as minhas finanças pra fugir do vermelho. Eu cuido e seco mais os outros times que também estão fugindo do Z-4 com mais zelo do que cuido da minha própria vida. Inter, que time filho da mãe!

E tem sido assim. Eu não acreditava na Copa do Brasil, o Inter me engana, eu começo a querer o título e levo aquele soco duro que foi a derrota em casa pro Atlético-MG. Temos que fugir da zona de rebaixamento e de todas as previsões, o Inter faz o caminho mais difícil de todos. Inter é o time que te enche de esperanças, mas as tira com uma facilidade incrível. Não dá pra ser tranquilo, sem sofrimento? Se fosse assim, não era o Inter.

Esse empate amargo com gosto de derrota e da lama da zona do rebaixamento encostando na bunda acabaram com nosso humor e esperanças pro sábado à noite. Que terminou em fazer simulações de pontos pro Inter fugir do rebaixamento e concorrentes no fim do Brasileirão e afogar nossas mágoas em hambúrguer e cerveja.
Inter, que time filho da mãe!

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