Déborah Medeiros: “Fui ao Beira-Rio, mas entrei em outra dimensão”

Foto: reprodução

Foto: reprodução

Eu sou uma pessoa intensa. Algumas amigas místicas creditam isso ao meu signo Sagitário com ascendente em Leão, mas eu só acho que a vida é muito curta pra ver ela passando pela janela. Ou pela telinha da TV.

Sábado foi um dia que eu não conseguiria ficar tranquila vendo em Floripa o meu futuro passando pela TV. Meu futuro sim, porque como colorada, eu faço parte de tudo que está acontecendo com o meu time. E esse é o sentimento dos colorados: somos parte disso. E como parte, não existe outra opção do que empurrar o time, independente de onde você está.

Madruguei, arrumei minha mochila e, cheia de sono, medo e ansiedade, peguei meu caminho pro Beira-Rio. Um longo caminho de 450km em que no radinho sofri com um gol contra do Gum. E comemorei uma vitória do Fluminense. Que fase!

Quando eu cheguei no Beira-Rio, fui tomada por aquele sentimento gostoso de chegar em casa. Já perdi as contas de quantas vezes vim ao Beira-Rio, mas jamais quero perder o aconchego que meu coração sente em pisar nesta casa.
Nesse misto de ansiedade e medo que me acompanharam pelas horas que antecederam o jogo, observava ali pelo portão 4 que os resultados paralelos da rodada não ajudavam nem um pouco o colorado, sentindo um peso nas costas que cada um dos torcedores ali dividia. E ainda era pesado.

Mas ao entrar no Beira-Rio, passar pela catraca, encontrar um estádio cheio, vibrando com lembranças de outros momentos e uma escalação finalmente acertada do nosso técnico, eu senti que era possível. Meu lugar favorito no estádio é na lateral direita do gol na Inferior Sul, perto da Popular, onde eu consigo ver bem o jogo e cantar ao mesmo tempo. Mas nesse jogo cheio, eu fui caminhando até parar no meio da Popular e lá ser abraçada por um bando de apaixonados, que já cantava muito antes da bola começar a rolar.

Estar ali é entrar em outra dimensão. Como se num passeio dentro do corpo humano você parasse num coração pulsante, nervoso e apaixonado. Ali a única regra é não parar de cantar. E não se importar que sua visão de jogo será constantemente obstruída por bandeiras. Mas se fosse pra ver o jogo friamente eu ficava em casa, né?

Com o gol do Vitinho eu descobri que não era só os 11 jogadores em campo que estavam sobrecarregados com essa sequência horrorosa que vivemos. Eu, como muitos outros que pude observar no meio da torcida, chorei. Um choro de alívio, um choro emocionado por lembrar que dentro de casa o Inter é gigante, mesmo quando todo mundo tenta fazer a gente acreditar que acabou.

Um bom primeiro tempo, um segundo tempo tenso e doloroso, um técnico que te faz comer as unhas esperando pelas alterações, a felicidade de ver Celso Roth mexendo direito no time pela primeira vez, bandeirada na cabeça, um Alex chamando a liderança, “NÃO PAREM DE CANTAR”, alguns erros individuais que não comprometeram, cinco minutos de acréscimo e um principio de infarto, mais um minuto e eu não vou aguentar e… FIM! Ganhamos! Pode gritar, pode chorar, apaga a luz, canta… É O INTER! Três pontos com gosto de esperança.

Essa vitória passou por decisões acertadas de escalação, uma boa leitura de jogo do Roth, uma mobilização dos jogadores, mas, acima de tudo, pelo apoio de cada um dos torcedores que encheu o estádio, que viu o jogo de casa, que apoia o Inter de onde está.

Fiquei aliviada. Independente do futuro do Inter, o time não está sozinho. Somos a torcida que não abandona, nas boas, nas más, independente de onde esse futebol nos levar. E só com a força dessa torcida a permanência na série A ainda é possível.

#VAMOINTER

Comentários

Comentários