Déborah Medeiros: “Descobri como é estar em um teste de fidelidade do João Kleber”

Foto: Ricardo Duarte/Internacional

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Bipolaridade. Esse foi o efeito Inter em mim na quarta que passou. Minha razão achava melhor perder. Meu emocional só queria mais um gol. Paixão é uma coisa muito louca. O futebol também.

Acordei estranha, ranzinza, mau humorada no feriado. Era nervosismo pro jogo de volta da semifinal da Copa do Brasil. Bizarro acordar assim quando tu perde o primeiro jogo em casa e tem um adversário forte como o Atlético-MG. Mais bizarro ainda quando a Copa do Brasil não é prioridade (da direção). A minha prioridade com o Inter é sempre ganhar.

Quando enfrentamos o Fortaleza, eu tinha medo de passar vergonha. O momento era horrível, o time instável e… Passamos! Daquele jeito nada convincente. A Copa do Brasil me parecia um fardo naquele momento em que tudo que precisávamos era fugir do Z-4. Precisávamos, mas com planejamento não deveria ser assim.

Esbarramos num Santos frágil, perdemos fora de casa, la situacion es una mierda e… Fizemos uma epopeia em casa. Dane-se. Eu quero a Copa! Me senti como num teste de fidelidade do João Kleber, em que estou num relacionamento sério e complicado com a fuga da zona do rebaixamento no Brasileirão mas me aparece essa tentação maravilhosa chamada Copa do Brasil. É taça. Não dá pra resistir. E aí vem o Galo…

É absurdo pensar que não estivemos perto dessa final em nenhum momento. Preservar os melhores jogadores quando você joga em casa e precisa decidir fora é abdicar da vaga na final. É uma escolha, de quem tem que priorizar a razão contra a emoção. Mas pra não dizer que jogamos tudo fora com essa escolha é que descobrimos jogadores que deveriam ser titulares absolutos, se tivéssemos um time titular.

Nessa aposta, minha esperança morreu em casa. Eu sabia que a distração da Copa do Brasil só ia atrapalhar, precisamos focar no Brasileirão e manter aquela meta de vencer os seis jogos restantes em casa. Mas aí tropeçamos no Santa Cruz e a minha racionalidade é esmagada pela emoção da raiva. Se vai fazer alguma coisa, faz direito! Priorizar deveria ser isso aí.

Aí ontem, meu coloradismo exacerbado não deixou ficar imune a essa semifinal. Um gol do Aylon e eu já acreditava que tudo era possível. Aí vem o Robinho e me joga um balde de água fria. O Anderson vem calar minha boca e passar o recibo do salário desse mês. Desse mês, mas ainda tem muita dívida a pagar. E o Pratto enterra meu sonho. Culpar o Pratto é extrema burrice, quando se tem um treinador que não sabe mexer no time. Mas é o que tem pra hoje.

Adeus Copa do Brasil, ainda temos cinco rodadas pra salvar o que sobrou desse ano do Internacional.

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