Déborah Medeiros: “De volta para o futuro”

Foto: Ricardo Duarte/Internacional

Foto: Ricardo Duarte/Internacional

Hoje eu acordei doente. Cabisbaixa. Com uma tristeza que não sei onde começa mas parece que não tem fim. É uma tristeza diferente. É uma apatia pela vida, vontade de sumir. Me enfiar num buraco.

Quando a gente fica triste, normalmente chora. Esperneia. Grita. Reclama. Meu estágio de tristeza agora é outro. E ele vem sendo construído a cada derrota. A cada tombo. A cada injeção de esperança que o Inter me dava. E essa esperança me abandonou. É o sentimento de fim. Não o fim do Sport Club Internacional, mas sim dessa luta que a torcida travou pra salvar o time do rebaixamento. Já diz o ditado “o que não tem remédio, remediado está”. Resta aceitar.

Hoje eu só queria a chance do McFly em De volta pro futuro e encontrar o Dr Brown pra viajar pelo tempo com um DeLorean. Imagina o quão oportuno isso não seria?

Dentro de um DeLorean, eu voltaria no jogo contra o Vitória e daria um sacode no Roth: isso não é escalação que se apresente. Mas se fosse pra corrigir escalações erradas eu precisaria viajar muito no tempo, o tempo todo.

Se eu entrasse no DeLorean hoje, eu voltaria lá no primeiro jogo do campeonato e avisaria o Argel no ouvido: não tenta consagrar o Paulão com essa chance de bater o pênalti, ele ainda vai desgraçar esse time algumas vezes. Talvez eu voltasse um pouco antes e pedisse ao Piffero um pouco de humildade na hora de fazer o planejamento pra 2016. E que técnico sanguíneo não é o que o nosso futebol precisa. Poderia até explicar pra ele o que é planejamento, algo que ele não conhece o real significado.

Certamente eu daria um passada com o DeLorean no Beira-Rio pra tentar convencer o D’Alessandro de não ir embora. O Inter é maior que quem está lá. E o D’Ale faria diferença aqui.

Na posse de um DeLorean eu poderia voltar em 2015 e impedir o fato novo. O Aguirre não era o problema.

Dentro do DeLorean, talvez seria útil voltar às eleições de 2014 e pedir pro campeão que voltou um pouco mais de humildade. E boquinha fechada pra não se queimar na praça. Explicaria pra ele que torcedor não torce apenas, torcedor é um órgão pulsante dentro do clube.

Hoje eu queria que o DeLorean voltasse pro tempo em que o Campeão de Tudo era o Clube do Povo e que esse clube poderia chegar onde quisesse, conquistaria o improvável, era só acreditar.

Também queria voltar as épocas de glória do Sport Club Internacional, só pra lembrar o quanto a gente foi longe nas conquistas e feliz. E que se não cuidar, tudo passa.

Se eu tivesse a chance eu também poderia ir direto pra metade de 2017, onde a ressaca da queda já teria passado e eu não precisaria mais ouvir os dirigentes tentando me iludir com o papo de “resolveremos essa situação em casa”, “time grande não cai”. Meu clube é grande, meus dirigentes o apequenaram.

Se eu tivesse a chance que o McFly teve, eu não abandonaria um Almanaque Esportivo quando o encontrasse no futuro. Não pra jogar sujo, mas pra me preparar para os dia que estavam por vir. Apesar que lendo sobre o futuro do Inter nem eu acreditaria que esse 2016 fosse possível.

Eu não tenho a sorte do McFly. Eu não posso voltar no passado pra corrigir esses erros gigantescos que nos levaram pro buraco. Também não consigo voltar no tempo e me perder lá em algum momento feliz. Embora eu esteja triste e descrente, não pode chover o tempo todo.

A Série B é uma realidade. As eleições vem aí e com ela, mais gente querendo nos enganar com planejamentos furados e oposições imaginárias, e sem DeLorean, eu só fico com o conselho do Dr. Brown: “O futuro ainda não foi escrito, não existe, seu futuro é o que você quiser fazer. Portanto (COLORADO), faça-o bem”.

E você, colorado, se pudesse entrar em um DeLorean e voltar no tempo, o que mudaria?

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