Déborah Medeiros: “As coisas que todo mundo vê, menos o Inter”

Foto: Ricardo Duarte/Internacional

Foto: Ricardo Duarte/Internacional

Todo dia quando acordo, tenho algumas certezas sobre o meu dia. A primeira delas é que eu preciso de um café preto, forte e amargo. Porque ele me faz ver melhor as coisas. Enquanto tomo meu café, abro o Twitter e tenho certeza que vai ter gente reclamando de acordar cedo. E alguma notícia ruim do Inter – quando a fase não é boa eu nem preciso me esforçar muito pra prever essas coisas.

Talvez a minha rotina seja algo fácil de prever. Acordo, tomo café, organizo a casa, faço alguns trabalhos, almoço, corro pro trabalho, atendo alunos, organizo as coisas, saio às 22h, volto pra casa, abro uma cerveja e vou ler as notícias do dia do Inter com calma. Sim, eu leio as notícias à noite. E o Twitter pela manhã. Me julguem.

Algo que eu tenho certeza quando leio as notícias do Inter é que toda semana o Roth vai tentar alguma nova formação técnica pro time do Inter. Improvisação em algum setor, apostas em cavalos errados, tudo para corrigir os erros do jogo anterior e buscar alguma evolução. Mas ao contrário de mim, não organizou ou evoluiu nada. Com mais sorte que o nosso treinador, eu ainda consigo evoluir algum Pokemon durante o dia.

Mesmo acompanhando exaustivamente a semana do Inter, eu ainda me pego empolgada e nervosa a cada jogo. Até o momento da escalação. É fácil prever a derrota. Assim como foi no fatídico Gre-Nal do 5 a 0. A gente vê quando o time entra pra perder ali na escalação. Aí eu tenho certeza que vou passar raiva.

É complicado tentar fazer uma leitura do momento do Inter. Parece fácil ver o que tá acontecendo depois de um jogo, analisando um erro individual ou uma derrota pra um time mais organizado. Mas as coisas erradas são empilhadas desde lá atrás, com a empáfia da volta do campeão que queria continuar empilhando taças, mas que só nos empurrou pra baixo, ali na altura do Z-4.

Eu tenho certeza que o Paulão vai entregar, não importa o jogo, uma hora ele vai entregar. Eu consigo ver as tentativas frustradas ao longo do ano pra preencher um meio de campo que tem dono. O meio-campo do Inter é um pobre menor abandonado pelo pai D’Alessandro que exibe um mau comportamento causado pela falta e abandono.

Carência define. Eu consigo ver o Celso Roth entrar em campo e retrancar time por um empate, porque esse é o melhor resultado. Eu consigo prever que a qualidade de jogadores desaparecerão apenas pela tentativa de organização de um treinador teimoso em colocá-los em posição equivocada. Tenho certeza que o Roth vai esperar até os 30 minutos do segundo tempo pra colocar os queridinhos da torcida e queimar na entrevista. Também tenho certeza que quando toda a rodada ajuda o Inter a sair da zona de rebaixamento, é óbvio que o Inter vai se perder no caminho.

Como eu não tenho uma bola de cristal pra prever ou saber essas coisas, o que seria muito útil pra prever os números da Mega-Sena ou quando vou encontrar o amor da minha vida, só posso concluir que o Inter se tornou um time extremamente previsível. Pra mim, pra torcedores ou pra qualquer um que se dedica a uma simples análise. Tão previsível que os outros times já sabem que pra atrapalhar o Inter é só entregar a bola. Eu vi a morte lenta do futebol do Inter. Como o Inter não consegue ver isso?

Acima de tudo, eu consigo ver a força da torcida em campo e o quanto ela é importante pra uma vitória. Afinal, o aproveitamento da torcida é melhor que o de qualquer treinador que passou pelo Beira-Rio esse ano. Eu só não consigo ter a certeza de um futuro concreto pro Inter na série A. Querer é uma coisa, e eu quero muito, agora ver com convicção, isso só os dirigentes do Inter conseguem.

É fácil pedir apoio pra quem ama incondicionalmente e pode fazer alguma diferença, mas brincar com a nossa paciência pra bancar convicções atrasadas de futebol pode custar caro.

Ver as coisas dentro do Z-4 é ruim, mas a falta de perspectiva para uma saída definitiva dessa situação é pior ainda.

Comentários

Comentários