Déborah Medeiros: “2/6”

Foto: Alexandre Lops/Internacional

Foto: Alexandre Lops/Internacional

Eu sou uma procrastinadora nata. E como uma boa procrastinadora, eu deixo tudo pra última hora. Procrastinação, pra quem não sabe, é o nome bonitinho que a gente dá para o ato de adiar ações. Eu evito até o último momento começar as tarefas que eu preciso fazer, e depois tomo um sufoco pra finalizar tudo aos 45 minutos do segundo tempo – apesar de conseguir lidar bem com a pressão. Essa é minha vantagem nesse jogo.

Ano passado eu precisava terminar minha dissertação de mestrado. Já tinha feito todas as matérias necessárias, apresentado artigos em congressos, passado pela qualificação e tinha o longo ano de 2015 pra apenas terminar de escrever minha dissertação. Parecia promissor, não? Mas pra uma pessoa ansiosa e sem nenhum domínio de planejamento isso é um terror.

Meu 2015 começou com um mês de férias já que ninguém é de ferro. Em fevereiro, fiz minha pré-temporada recolhendo os dados e armazenando sem pretensão alguma de escrever alguma coisa. Confesso que comecei a mexer no meu trabalho, mas tudo que acontecia no mundo parecia mais interessante. Para um procrastinador em ação ver Ypiranga x Lajeadense soa tão interessante como uma final de Champions League. Vai por mim.

Alguns jogos de Gauchão e uma Libertadores acontecendo retiravam todo o meu foco do que realmente importava e eu precisava usar meu tempo pra fazer hora extra no trabalho pra poder viajar para os jogos do Inter. Quem se importa com um capítulo de metodologia quando se quer ficar em Porto Alegre vendo uma semifinal de Gauchão e Libertadores numa mesma semana? Quando minha orientadora me cobrava resultados eu fazia uns textos só pra cumprir tabela e ganhar mais tempo, afinal, um ano pra escrever é um campeonato longo pra jogar e mais pra frente eu poderia recuperar os resultados.

Parecia até o Inter do Argel ganhando joguinhos simples, sem qualidade, mas mantendo a moral com quem importava. Mas quando você não está concentrado nos objetivos, qualquer coisa te faz sair da linha. Naquele fatídico jogo em que o Inter perdeu na semifinal da Libertadores pro Tigres, num jogo que assisti em São Paulo logo após sair de um congresso em que fui apresentar um trabalho, artigo na mão e camisa do Inter aguardando na bolsa, num bar cheio de paulistas fazendo seu tradicional happy hour, eu chorei incrédula pela derrota. Perdemos os dois, o Inter o melhor campeonato da temporada, e eu o foco pra continuar minhas coisas.

Deixei-as de lado, e assim como o Inter, que largou treinador, projeto e tudo atrás de um motivador sanguíneo e nos trancos e barrancos conseguiu uma vaga direta para as oitavas de final da Copa do Brasil 2016 na última rodada do Brasileirão, eu precisei de um e-mail com cara de pé na porta do vestiário da minha orientadora perguntando se eu ia desistir ou terminar logo esse trabalho. Talvez a pressão que eu precisasse. Desistir? Não era uma opção viável pra mim.

E assim, em menos de dois meses, eu fiz grandes finais de Copa particulares atrás de dados e finalizei minha dissertação, defendi. Enfim, mestre. Isso, claro, com fugidas para jogos como o Gre-Nal do Beira-Rio e o último jogo da temporada, porque o procrastinador sempre precisa de um pouquinho de emoção atrapalhando seus prazos.

Hoje, eu olho pro meu trabalho e ao mesmo tempo que me orgulho de ter focado em tempo e ter terminado, penso que se eu tivesse planejado, ele poderia ter um resultado melhor. Dá pra voltar atrás e planejar melhor ou escolher outra opção? Não dá. Mas dá pra pensar melhor nas próximas escolhas. Serve pra mim, serve pra você, serve para o Inter.

É impressionante o quanto o Internacional procrastinou esse ano, um ano promissor pra se dedicar ao título de Brasileirão. Correu, patinou e caiu um tombo tão inexplicável quanto o Geferson caindo do ônibus. Apesar de todos os erros, ainda dá pra salvar o time dos riscos da falta de planejamento.

Eu, a procrastinadora, que apesar da desorganização sempre acha que dá pra fazer um gol no último minuto do acréscimo. O América-MG tá aí pra provar isso. Mas pro jogo virar pro nosso lado, só com apoio da torcida. Depende da nosso pressão. Como lembrou o D’Ale essa semana, “o Inter é muito grande e só precisa do seu torcedor”. Desistir? Não é um opção viável.

São seis jogos pra vencer em casa. E cada jogo é um jogo. O primeiro vencemos, juntos. Deu certo. Vamos para o segundo. E os que restam só ganharemos assim, juntos, empurrando o time, mostrando a pressão e a força gigante que o Inter tem dentro de casa.

Nesta quinta, todos os caminhos levam ao Beira-Rio. Se você, torcedor, não pode estar presente e levar seu grito, mande seu coração. Pela nossa história, pelo Inter, só a torcida pode nós salvar.

#VAMOINTER

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