Daniel Matador: “Vou torná-lo famoso!”

Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Caros,

Os fãs de filmes de faroeste (confesso, sou destes) certamente lembrar-se-ão de duas grandes obras da sétima arte: Young Guns I e II. No Brasil, os títulos foram abrasileirados para “Jovens Pistoleiros” e a continuação levou o subtítulo de “Jovem Demais para Morrer”. Ambos contavam a história de Billy The Kid e seu grupo de amigos pistoleiros no velho oeste. O protagonista era interpretado por Emílio Estevez e uma das características dele no filme era a frase que pronunciava quando costumava desafiar alguém para um duelo.

Como vivia escondido para não ser capturado pela polícia, seu rosto era desconhecido de grande parte da população. Assim, ele costumava apresentar-se ao duelista como Billy The Kid e anunciava: “Vou torná-lo famoso!”. A idéia era que o oponente aceitasse o duelo para que pudesse ter a honra de dizer que matou a lenda. Mas o que invariavelmente acontecia era que ele tornava-se famoso apenas por ser mais um de sua lista de cadáveres.

Renato Portaluppi não é Billy The Kid, mas também é uma lenda. Com a diferença de que ele permanece vivo. Mas uma semelhança ele possui com o mítico pistoleiro: a mesma mania de apontar para alguém e dizer “vou torná-lo famoso”. Renato fez assim com outros jogadores em suas passagens anteriores. Jonas deixou de ser o “pior atacante do mundo” para disputar a Chuteira de Ouro na Europa. André Lima era apenas um esforçado centroavante que passou a empilhar gols. E até o desconhecido Diego Clementino teve seu momento de fama com ele.

Desta vez não vem sendo diferente. Ramiro estava no ostracismo, vaiado pela torcida e xingado tão logo tocava na bola. Passou a ser titular e peça importante no time, inclusive marcando um golaço antológico no primeiro confronto das quartas-de-final da Copa do Brasil contra o Palmeiras, na Arena.

O argentino casca-grossa Kannemann virou titular absoluto ao lado de Geromel, formando a tradicional dupla que invariavelmente faz sucesso em qualquer equipe: aquela formada por um zagueiro técnico e outro que baixa a lenha. Everton voltou de um período de lesão e começou a ser colocado no time, dando a resposta que todos imaginavam que poderia dar. E no jogo que decidia a passagem do tricolor para as semifinais do torneio nacional, Renato novamente chamou o garoto e ele foi mortal. Cavou a expulsão de Allione, o que fragilizou o time palmeirense. E fez um gol com a marca de quem manja do riscado.

Esta classificação gremista entre as quatro equipes que lutam pelo título da competição tem a marca daqueles que querem fazer história. Daqueles que começam a entender o significado que uma conquista deste quilate pode ter. Daqueles que aceitam o duelo e correm o risco de tornarem-se famosos. Não discute-se a boa herança deixada por Roger em vários aspectos, mas muitos já citaram que estaríamos, neste momento, debatendo posse de bola e amplitude após uma eliminação, ao invés de estarmos comemorando classificações feitas muito mais na raça e no coração, como foram estas contra Atlético-PR e Palmeiras. Ninguém mais sai de campo com o uniforme limpinho.

O calção de Everton estava sujo de grama e barro na comemoração do gol redentor. O Grêmio de Renato tem outra cara. Não é cadenciado, é incisivo. Não é respeitador, é petulante. Não é conformado, é letal. Poderá a lenda que comanda ter o poder de transformar os comandados também em lendas? Pode ele torná-los famosos?

Saudações Imortais.

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