Daniel Matador: “Malandramente”

Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

“Jogadores perdem os jogos para você, não as táticas. Há muita porcaria dita sobre táticas por pessoas que mal sabem como ganhar no dominó”.
Brian Clough, o lendário técnico que conseguiu a proeza de transformar o obscuro Nottingham Forest em bicampeão europeu.

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O Grêmio recebe o Palmeiras nesta quarta-feira pelas quartas-de-final da Copa do Brasil, na Arena. Por mais que a esperança de grande parte da torcida em suplantar o atual líder do campeonato brasileiro neste torneio paralelo esteja arrefecida, não dá para jogar a toalha antes do gongo soar. E também porque algumas mudanças que estão ocorrendo acalentam as chances de sucesso.

No treino desta terça, Renato deu um exemplo que rebate muitos dos críticos de plantão que vociferam sem embasamento contra seus métodos. O sul-africano Ty conduzia a bola pelo lado direito de ataque e Wallace Oliveira fez a passagem pelo lado esquerdo, fechando pelo meio, aguardando para receber o passe. Um cacoete que justifica-se pela forma como Roger orientava os treinamentos. A tática do ex-técnico tricolor privilegiava esta jogada, talvez como forma de fugir do óbvio e tentar surpreender o adversário. Estratagema este que, por vezes, esbarrava em dois pontos: o lateral teria de ter certa habilidade técnica mais apurada para conduzir a bola após recebe-la (semelhante a um meia) e o meio de campo acabava ficando congestionado com a chegada de um jogador que não é natural daquele setor. Renato parou o treinamento e reorientou a jogada, fazendo com que Wallace Oliveira abrisse pela direita, passando pelo flanco para receber a bola. Uma jogada mais simples e óbvia, mas que pode ser mais eficaz, ao passo que utiliza um espaço mais livre do campo e que pode suscitar mais alternativas.

Não obstante as alternativas táticas que Renato começa a implantar, o aspecto anímico que imprimiu ao grupo desde sua chegada provavelmente seja o ponto mais importante deste novo Grêmio. Faltam pouco mais de dois meses para que a temporada acabe. Não há tempo para a criação de novas e mirabolantes alternativas de jogo, a não ser determinadas correções de rumo. Mas a injeção de ânimo e malandragem, que sempre foram características de Portaluppi, podem fazer a diferença tanto nos duelos da Copa do Brasil quanto nos jogos restantes do Campeonato Brasileiro. Renato costuma ter a proeza de trazer os jogadores para perto e fazer com que joguem por ele. Agindo assim conseguiu tirar o tricolor da zona de rebaixamento em 2010 e classificá-lo para a Libertadores, além de levar um grupo medíocre do Grêmio ao vice-campeonato brasileiro em 2013.

Mas nesta quarta-feira na Arena poderemos ter, se não uma apresentação espetacular, ao menos uma amostra do que o grupo pode produzir sob a batuta do novo técnico. Pois, por mais que a tática e a técnica sejam importantes, é a postura dos jogadores em campo que pode ganhar ou perder o jogo. A busca pelo penta já começou na milagrosa e inimaginável classificação contra o Atlético-PR e agora segue contra o Palmeiras. Malandramente, ao estilo Portaluppi. Avante, tricolor!

Saudações Imortais.

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