Daniel Matador: “É mais que um jogo, é Gre-Nal!”

Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

“Ele não era covarde, mas achava, como o pai, que a guerra deveria dar lugar ao intelecto e que um homem podia argumentar para chegar à vitória. Mas a guerra, com frequência, tem a ver com emoção.”

Uhtred de Bebbanburg, em Morte dos Reis, 6º volume da colossal série Crônicas Saxônicas, de Bernard Cornwell.

Caros

Mais uma vez chegamos ao derradeiro capítulo de uma semana Gre-Nal. O momento em que as equipes tricolor e bicolor pisam no gramado marca o início do fim de todo um período de tensão, nervos e ansiedade, principalmente por parte da torcida. Tudo isso, naturalmente, alimentado pelas ações que os clubes fazem ou deixam de fazer. Desde uma provável escalação dúbia até uma baixa ocasionada por alguma lesão. Porém, muito mais do que isso, esse é o jogo onde os esquemas táticos e as técnicas apuradas dão lugar à emoção.

O Grêmio de Roger vinha jogando um futebol baseado em um modelo que apresentou bons frutos em diversas ocasiões. Modelo este, contudo, que não poucas vezes era criticado pelo fato de não abrir mão de sua proposta e fracassar diante de grandes desafios e jogos decisivos. A queda na Libertadores frente ao agudo e sanguíneo time do Rosário Central foi um exemplo disso, assim como a desclassificação no Campeonato Gaúcho para a equipe operária, porém aplicadíssima, do Juventude de Antônio Carlos.

Nesse contexto, a chegada de Renato foi salutar. As sucessivas classificações na Copa do Brasil diante de Atlético-PR e Palmeiras são situações que reforçam isso. Em jogos deste calibre, por mais que a técnica e a tática sejam importantes, é o fator emocional que costuma decidir. E, neste aspecto, a equipe gremista conseguiu reforçar-se e crescer nos últimos tempos.

A vitória tricolor sobre o tradicional adversário no primeiro turno dentro de sua casa foi um ponto fora da curva nas atuações que o time vinha tendo sob o comando do antigo treinador. Tanto é que o próprio gol que proporcionou aquela vitória fugiu à regra. Não foi um gol somente trabalhado, com passes de pé em pé e conclusão certeira. Foi um gol de força, um gol sofrido, feito a marretadas. O cadenciado, técnico e pseudo-vagabundo Douglas dividiu o lance com a defesa e o goleiro para poder anotar o tento.

Com exceção de situações como o lendário Grenal dos 5 x 0, quando a superioridade gremista foi avassaladora, o clássico costuma ser decidido em lances de superação. Por mais treino e aplicação tática que se tenha (itens estes importantes e cruciais, ressalte-se), quando a bola rolar na Arena neste domingo o fiel da balança será o coração. Em um jogo onde nenhuma das equipes possui vantagem explícita, será o fator anímico aquele que poderá decidir quem sairá vitorioso.

Não adianta só jogar bola para vencer uma partida destas. Justamente porque este não é um confronto comum. É uma contenda que muitos tratam como uma guerra. E, assim como a guerra, frequentemente ele tem a ver muito mais com emoção do que qualquer outra coisa. A situação do adversário na tabela faz com que haja muito mais do que somente três pontos em disputa. Conseguirá o tricolor fazer valer a mística de Renato, que sabe como poucos insuflar seus comandados em situações como esta, e empurrar o adversário para o limbo da zona de rebaixamento?

Saudações Imortais

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