Adriano Schneider: “Os anos 90 voltaram!”

Foto: Ricardo Duarte/Internacional

Foto: Ricardo Duarte/Internacional

Eu não queria abrir a porta de casa hoje de manhã. Tinha certeza de que sentiria o cheiro, ouviria os sons e veria as cores dos anos 90.

Fomos teletransportados pra manhã seguinte como tantas outras onde eu fui o colorado sofredor.

Fugindo do rebaixamento como um bicho. Vendo o rival na final e eliminado em mais uma competição.

Priorizando pra evitar fiascos.

O cheiro dos anos 90 invade as minhas narinas. Flamula o azul no colorido da cidade e eu não posso fazer nada a não ser bater no peito vestido com a minha camisa 3 do Célio Silva.

Um jeito de pensar futebol dos anos 90. Uma maneira de gerir o plantel dos anos 90. O jogo de interesses dos anos 90.

Milhões de torcedores precisando sentir o gosto amargo na boca de uma burrice sem fim.

No dia dos finados mataram o time do Inter na melhor oportunidade de voltarmos a ser protagonistas da nossa própria vida.

Até o técnico é dos anos 90 com as invenções e birras de quem se nega a enxergar o básico, o simples, o óbvio.

A zombaria e a corneta não me abalam porque eu fui ferido de maneira muito mais grave por quem parecia querer o meu bem é simplesmente me colocou nessa máquina do tempo em que não acreditamos em números, desempenho e ciência.

Hoje somos só eu e a camisa do Célio. Eu e a história de colorado sofredor.

Hoje cada colorado é uma ilha entre o passado e o presente. O que me aflige é que grande parte da torcida foi colocada nesse lugar contra a própria vontade.

Nossa sorte é que o clube é maior que egos. Pessoas passam, o clube fica. A instituição fica.

Vai ser difícil mas vamos sobreviver. Pelo Inter.

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