Rafael Serra: “A vitória do Grêmio no Gre-Nal e o retorno da celeste”

FOTO: LUCAS UEBEL/GRÊMIO

20/03/2002 – Chovia naquela noite do Gre-Nal 351. O jogo era válido pela Sul-Minas. O Grêmio estava invicto em clássicos havia 12 jogos. Gilberto abriu o placar mas do outro lado estava Fabiano Souza que anos antes fora o carrosco dos 5×2. Ele cruzou e Fabiano Costa empatou. 1×1. Era meu último jogo antes de ingressar na imprensa e viver, durante 14 anos, no anonimato.

03/07/2016 – Acordei cedo. Oito horas já estava indo ao banheiro, aparar a barba e tomar o banho matinal. Como não estava escalado pela Rádio Grenal para acompanhar o Gre-Nal 410, resolvi ir ao jogo para torcer. A roupa já estava preparada. Calça preta, tênis rasgado – do tempo que tentei retomar o Street skate – e a camisa celeste número 10. Em 1995, a terceira camisa do Grêmio era celeste. Linda. Umas das mais bonitas já produzidas para o clube. Guardo com carinho e superstição. Partiu, Beira-rio.

Cheguei ao estádio pelo Caminho do Gol, aquele famoso da Copa e consagrado no Gre-Nal da torcida mista. Começa o jogo. Do lugar onde estava, no Skybox número 626, com a visão central do campo, vi um jogo ruim, travado.

Nos primeiros minutos as duas equipes se respeitaram muito. Ninguém queria arriscar para não errar. Afinal, é Gre-Nal aquele que arruma e desasrruma a casa. Desarrumado estava o meio campo colorado. Argel apostou em Bob, Dourado e Fabinho. Arrumado é o time de Roger. Luan recebe no meio e lança Everton na esquerda. O camisa 11, de boa atuação, invade a área é chuta. Quem estava no caminho do gol era Douglas. Ele não imaginava o rebote de Muriel. Mas Douglas, o maestro, obdece o técnico, pisa na área, finaliza e abre o placar no bonito Beira-rio: 1×0.

Vibrei, gritei e levantei às mãos com os punhos cerrados. Aquele torcedor estava de volta. Aquele mesmo silenciado no anonimato de 14 anos, escondido atrás do escudo profissional chamado jornalismo esportivo. Fiquei um pouco tímido. Confesso.

Argel também confessou. Sua confissão veio através da substituição, ao tirar Bob e colocar Ferrareis. Errou na escalação inicial. Com a vantagem o Grêmio deu mais espaço, o Inter retomou a posse de bola mas não o suficiente para ameaçar o gol de Marcelo Grohe no primeiro tempo. No intervalo, uma segurança pediu-meu com educação para tirar minha camisa celeste. Não concordei mas aceitei, já que esta é uma regra do Skybox.

O segundo tempo poderia ter melhor. O Futebol continuou menor. Argel tentou melhorá-lo, colocando Valdívia – atendendo ao apelo da torcida que gritava o nome do poko pika – na vaga de Seijas. Não resolveu. O meio campo seguiu sendo dominado pelo tricolor. O tempo passava e nada acontecia para alterar o placar. Argel resolveu mudar novamente. Anderson na vaga de Sasha que não dançou valsa. Dançou do time por jogar menos do que poderia. O Inter cresceu

Edílson teve dificuldades para controlar Ferrareis e Andershow. Neste momento eu já estava olhando para o relógio. Faltavam ainda uns 20 minutos e o colorado queria o empate a todo custo. Roger havia colocado em campo Bolanos e Pedro Rocha. Os dois voltavam de lesão. Estavam sem ritmo. O Inter pressionou.Muriel, já nos acréscimos, foi tentar o cabeceio em dois escanteios. Não deu.

Dewson, o bom árbitro do Gre-Nal 410, apitou o final do jogo. Jogadores correram em direção a torcida. Queria estar lá, com os jogadores, com a torcida e festejar. Merecemos a vitória. Merecemos um título. Esse grupo de jogadores merece também. Saí do Beira-rio feliz com a camisa celeste e, mais uma vez, com a superstição: a celeste de 95 jamais perdeu.

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